Eu, lírico.

Saiu correndo pela rua usando pijamas,
descalça
jogou pelos ares centenas de folhas de papel amareladas
riscadas,usadas
gritava sem dizer uma palavra
Olharam com curiosidade, espanto não
tinha algo de urgente, tinha um tanto de verdade
enfim bradou, a plenos pulmões
"Nem sempre o poeta é o eu lírico! Nem sempre o poeta é o eu lírico!
E no canto da calçada, imóvel e abatido
estava o moço, segurando um papel amassado com se fosse um filho
A poeta se aproximou, e disse ao pé do ouvido
"Mas essa é mesmo para você, querido."

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