Escrita automática [2]

(cena 1)

 tateio o escuro
atrás de um papel,
roto
disperso
onde eu possa despejar
um pouco desse alvoroço
que invade
o peso do meu corpo
entorta meu sentido
me diz onde não estar
e eu, que adoro ter o controle
não sei como lidar
com essa falta
essa sobra
essa tanto de bem estar


(cena 2)
Não acho papel
tento certeza
que me lembro
da forma
das palavras
do fluxo de contensão
que me deixa por fora
e no meio
bem nessa hora
eu vejo
que mesmo que eu tente
que eu esteja
tão fora de mim
eu volto,
como um imã.
para o ritmo
que você propôs

(mesmo que não saiba dançar)




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