Como Punhal

Me mostrou o caderno. 
E para mim era obsceno como zoofilia.

As palavras tão bonitas, me cortaram como punhal. 
E eu que sempre achei essa comparação tão brega e clichê, e que pensei que nunca fosse usar,
bom, não achei outra coisa para exemplificar. 

Já tinha experimentado. essa dor emocional ,que é quase física, quase palpável. Foi naquela vez,
que o dia foi perfeito, e no final, lá estava você, com uma garota qualquer. Que provavelmente não sabe seu nome, e nunca vai saber, seus sonhos e medos, que eu sei de cor.

Eu que considero tão racional, tão "tão", me peguei pensando, dia desses, que seria meramente
razoável, contratar uma falsa cartomante para abrir seus olhos de alguma forma.
Abrir junto seu coração também. Pensei na irmã Mayra. Ela deve ser boa. Pelo menos para vender uma ideia falsa. 

Dai, voltando para a poesia. Claro que há muito tempo, eu  - nas minhas -  só falava de não querer ser como sou, fazer o que faço, escrever o que escrevo. Mas ver o caderno deu outra perspectiva as coisas. 

Você chamou ela de mulher. Mas ela não é mulher meu amor, ela é menina. E a problemática estava toda ai. Percebi.  Pra você não fazia diferença. Você não é homem também, é menino, meu bem. 


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