O muro

Nas músicas, nos livros, poemas e roteiros, ela procurava consolo. Nos amigos, jornais, esquinas e passado, ela procurava um precedente.

Nas ações, palavras, olhares e no tempo, ela tinha esperança. Mas o muro, enorme, invisível e intangível se erguia derrubando todo resto.

Mesmo que não pudesse ser visto, nem de perto, por todo o resto, ele dominava. Tinha sido construído, com coisas pesadas, histórias que você não quer saber.

E cada história, momento, no dito e principalmente no não dito, ela se rendia ao muro.

Um dia um moço, meio torto, desconhecido e desaparecido, lhe disse o que ela queria ouvir. Por um segundo seu coração, não agüentou, palpitou.

Ela esperou. E mais uma vez, o não dito se fez presente, e o muro, ah, esse riu descrente. Ele avisou.

Uma brecha, um segundo, um vacilo, era o que ela precisava. Mas a coragem, que devia estar no sangue, essa lhe faltou.

A cada ação, palavra, olhar, tempo, era pior. A verdade, aparecia sorrindo e adubava o muro que crescia feito broto de flor.

O pensamento, o sentimento, era forte. Como onda do mar, nuvem de chuva, ou cheiro de morte. Não era suficiente.

Vou te dizer uma coisa, o muro não é de concreto, não é de aço. Mas atualmente, acho que não pode ser derrubado.

Um comentário:

Felipe disse...

Gostei.

Mas tem cheiro de indireta ai, heim...
hehehe