Noticias do mundo de lá I - A ponte.

Notícias do mundo de lá I -

A ponte
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Todos os dias Maria passava. O caminho era o mesmo, só a intenção que mudou. A casa não tinha sacada bonita, nem decoração. O motivo era só a intenção. E sobre isso eu falo depois. Vamos falar de Maria então.

De tanto sonhar, quase virou sonho. A realidade era quase sempre chata, ou melhor, não era o que ela esperava. Mas quando é que é? Só que Maria tinha lá razão, pode se dizer. Tinha mais motivos para não, do que para viver. Não parece, se você olhar, mas posso garantir que você não olhou direito. Tanta felicidade assim tinha que ser despeito. E era mesmo.

Um dia ela jurou que não tinha mais coração. Juntou os cacos e colocou no baú. Aquele velho garotão batia na porta e ela dizia: “Não, não e não”. Era mentira, mas ela disse tantas vezes que já estava acreditando. É claro que ainda estava sonhando, mas era um sonho de fumaça. Sempre escapava.

Achou esse moço, e jurou que era ele. Ele também tinha cacos no baú. Ele também tinha sonhos, ainda maiores que os dela. Mas era bom de mais pra ser verdade, Ô! Se era...

E ela continuava passando. Sempre freando o passo, quando passava em frente. Para ver se tinha gente. Nunca tinha, mas ela sempre passava. Pela casa, claro. Eu ainda não disse, mas cá está o motivo. O moço morava na casa, e ela o queria contigo. Queria estar na casa, e esteve. Queria falar com ele, e falou. Mas não era isso que ela queria. O que era, nem ela sabia.

Mas sempre voltava para o mesmo ponto. Não o de ônibus. Mas era lá que estava, quando pensava. Sabe se lá porque pensava em uma ponte, sempre que pensava naquele nome. E pensava muito. Ela o via em todo lugar.

Ela não parecia se importar. Nem com isso, nem com nada mais. Fingia tão bem Maria. Tão bem, que quase acreditava. De tanto sonhar, quase virou sonho. Até o moço acreditou. Eu acho. Não sei dos pensamentos do moço, só dos de Maria.

Todos os dias o mesmo caminho. A ponte, a casa, a ponte.

Ela não queria conhecer a casa, queria morar lá. A ponte, a casa, a ponte. Em baixo da ponte tinha o mar.

Devia ser isso que a fazia lembrar. Ele gosta do mar. Eu acho.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ei, bem legal.
um poemaconto meio contopoema.
cool.

Felipe :P