Em busca do protagonista perfeito

Confesso que não sou uma grande fã de novelas. Quando era mais nova, até acompanhava, mas a minha falta de tempo somada a falta de paciência que eu tenho para ver personagens desnecessários vivendo situações previsíveis me fez parar de acompanhar.


Mas como pessoa curiosa, mulher e estudante de comunicação, eu não posso simplesmente ignorar os fatos marcantes da novela das
oito. Todo mundo fica sabendo, mesmo que não queira.

Mas essa novela “Passione” é muito confusa pra mim. Até hoje eu não sei quem é o protagonista, qual é o assunto central da novela e o que realmente as pessoas esperam que aconteça no final.


Mas uma coisa curiosa aconteceu esses dias.


A morte da Diana. Não sei, como eu disse, quem é o protagonista na novela, mas a Carolina Dickman era definitivamente, uma das mocinhas. O surpreendente, não foi a personagem dela morrer, e sim a reação do público. Todo mundo ficou feliz. Sim. Ficaram. A mulher era uma boa pessoa, que foi engana pelo primeiro marido ( que aparentemente é um maníaco sexual com gostos estranhos), ai quando conseguiu ficar com o cara que ela amava, ter um filho e tal, ela morre no parto e as pessoas ficam felizes. Porquê? Porque ela era uma personagem chata.


Não vou aqui julgar as pessoas, nem dar uma de moralista. Afinal, é uma novela, e você torce pra quem você quiser. Eu mesma torci para a “Grace” matar todo mundo no final de Dogville. O que me intriga aqui, é outra coisa. É o desafio de ser um mocinho. O que as pessoas esperam de um protagonista, afinal?


Se ele ( ou ela) resolve tudo, é irreal, se não resolve, não é digno se ser um protagonista; se é muito bonzinho, é chato, se comete alguns deslizes, é um mau exemplo... E assim por diante. E isso, não só nas novelas, como também nos filmes e livros.


A vida é muito dura para um protagonista. Nem as “Dianas”, nem as “Viúvas Porcinas” conseguiram agradar as pessoas. E nem digo agradar a todo mundo, só a maioria.


Eu tenho a impressão que o protagonista, reflete a maneira como as pessoas vêem as outras, em seu grau mais íntimo e puro. Elas podem julgar o protagonista a vontade, ele não existe, afinal de contas. Mas nós vemos as histórias sobre a ótica dos protagonistas, assim como quem nos mostra o mundo, são as pessoas a nossa volta.

Só posso concluir com isso, algo muito óbvio. As pessoas são muito exigentes. E quem dera que elas fossem tão exigentes consigo mesmas, quanto são com as outras pessoas. E com os protagonistas.

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