Análise audiovisual de Harry Potter

Como sou uma fã asidua de Harry Potter, fiz meu trabalho de linguagem audovisual sobre o tema. Como percebi que não existem muitas analises, resolvi postá-lo aqui.







ANÁLISE DA EVOLUÇÃO DA LINGUAGUEM AUDIOVISUAL
DA FRANQUIA HARRY POTTER




JUANE VALENTIM MIRANDA



RESUMO
Este artigo vai analisar a evolução e modificação da linguagem audiovisual que a franquia Harry Potter sofreu no decorrer de seus seis filmes, com foco nos diretores Chris Columbus ( diretor dos dois primeiros) e David Yates ( diretor dos dois últimos).



Palavras- chave: Cinema. Franquias. Adaptações. Harry Potter.












juane_vaillant@hotmail.com
Estudante de comunicação social, com habilitação em Rtv
Faesa







1 INTRODUÇÃO

Neste artigo pretendo analisar a linguagem audiovisual da franquia Harry Potter, produzida pala Warner Bros. Pictures, e baseada da série de livros homônimos de J.K. Rowling.
Harry Potter trata-se da história de um menino órfão que aos onze anos descobre ser um bruxo e que seus pais foram assassinados pelo bruxo mais temido de todos os tempos, Voldemort, e que este pretende matar Harry também. O conflito que perdura todos os sete livros da série é a luta entre Harry e Voldemort.
Harry começa a série com onze anos e a termina com dezessete, e esse fato tem várias implicações. Começar o livro com Harry na infância, trouxe para a série muitos fãs com idades próximas a de Harry, o que significa que, como foram lançados aproximadamente um livro por ano, os leitores foram crescendo “junto” com o protagonista.
Dessa forma, à medida que Harry crescia, o clima dos livros foi se tornando mais sombrio e os conflitos mais complexos. Nos livros, a forma de escrever de J.K.Rowling foi se adaptando a idade de Harry, e com os filmes não poderia ser diferente.
Para dirigir os primeiros filmes ( A Pedra Filosofal e a Câmara Secreta), foi chamado o diretor Chris Columbus, famoso pelos filmes Esqueceram de mim (1990) e a sua sequência Esqueceram de mim II – Perdido em Nova York ( 1992). Columbus trouxe para o filme, todos os elementos do livro e deu a ele a atmosfera de frescor e novidade que a produção precisava. Mas, para se adaptar as mudanças de Harry, houveram mudanças de diretor. E depois de passar por Alfonso Caurón ( Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban) e Mike Newell( Harry Potter e o Cálice de Fogo), o até então desconhecido cineasta inglês David Yates assumiu a direção dos quatro últimos filmes da série (a Ordem da Fênix, O enigma do príncipe e Relíquias da morte parte I e Parte II), sendo que os dois últimos serão lançados respectivamente em 2010 e 2011), trazendo o necessário amadurecimento para o filme.
A análise que farei aqui gira em torno das mudanças que Yates utilizou na linguagem do filme para que o público formado praticamente de jovens na faixa de 18 a 23 anos da série pudesse enxergar nos filmes a mesma evolução que enxergam nos livros.
Para fazer essa análise tomarei como base algumas cenas dos primeiros filmes: A pedra Filosofal e A câmara secreta, comparando-as com cenas de A ordem da Fênix e O Enigma do Príncipe.





2 DESENVOLVIMENTO

2.1 O cinema clássico americano e a narrativa seriada

Embora Harry Potter seja um livro britânico e o filme tenha elenco e produção quase toda formada por profissionais do Reino Unido, a produtora do filme é a Warner Bros Pictures, uma das maiores dos E.U.A.
Podemos considerar Harry Potter um filme com linguagem clássica, porque sua história possui começo meio e fim; temos um “herói” que tenta resolver ao longo dos filmes seus próprios problemas, e os problemas dos outros; a narrativa possui um gênero definido, que seria “aventura” e um conflito central, que é a luta do bem (Harry) contra o mau(Voldemort).
E, além disso, a batalha interna sofrida por Harry, onde elem muitas vezes se pergunta se não é, na verdade igual a Voldemort é característica básica para os filmes clássicos de noir e western.

Em ambos os gêneros o tema central
é o conflito entre a
lei e o arbítrio, a inocência e a
corrupção, entre as regras
da convivência civil (civilização)
e o universo dos sem lei
ou fora-da-lei, um mundo selvagem
e primitivo ( selvageria).
(COSTA, 1989. p.100)

Mas apesar de fazer parte do cinema clássico, o filme é também, uma narrativa seriada. Os sete livros de Harry Potter foram adaptados de forma que cada livro correspondesse a um filme, com exceção do ultimo livro, que devido a quantidade de elementos, será dividido em dois filmes.
A ideia de seriado, que já tinha sido utilizada na literatura através dos folhetins, surgiu no meio audiovisual no cinema em 1913, e isso aconteceu para que o novo tipo de cinema se adaptasse ao publico a as salas de cinema existentes, que ainda eram em boa parte, os nickelodeons, onde as instalações eram desconfortáveis, por isso, até então, só eram exibidos filmes curtos.

Os longas-metragens ( feature films )que
começavam a surgir nessa
época, só podiam ser exibidos nos salões
de cinema, mas confortáveis
e mais caros, embora numericamente ainda
pouco expressivos. O filme
em série permitia atender ás duas demandas
silmultaniamente.
(MACHADO,200.P.86,87)

Esse tipo de filme, era exibido para as classes mais abastadas, mas também eram exibidos nos nickelodeons, quando divididos. Dessa época, datam séries cinematográficas famosas que deram forma ao gênero como “Fantômas” e The perils of Pauline”.
Mas os filmes de sequencia, também conhecidos como “franquias”, tem algumas características peculiares. Ao contrario dos filmes que eram “divididos”, nas franquias, cada filme tem um conflito a ser resolvido, porém, todos fazem parte de um conflito maior que ira permear durante todos os filmes e a presença de um personagem central. Mas assim como existem seriados que mantém apenas o “espírito geral” em seus episódios, e podem ter diferentes temas, personagens ou locações, também existem filmes dessa forma. E um bom exemplo disso, é Fall of Nation ( 1916), continuação do clássico Bird of Nation(1915).
Mas Harry Potter faz parte do primeiro caso. Cada filme tem um subtítulo como
“ A câmara secreta” e “ O cálice de fogo”, que são um índice do conflito do filme, mas a luta entre Voldemort e os Comensais da Morte ( seus seguidores) contra Harry e os “bruxos do bem”, é a base para todos os filmes. Além disso, os sete livros, correspondem aos sete anos em que as crianças e adolescentes permanecem na escola nos bruxos, Hogwarts. Algumas das franquias de maior sucesso são Indiana Jones de Steven Spielberg e Guerra nas estrelas de George Lucas. Ambos os filmes, assim como Harry Potter, tem milhares de fãs fieis até hoje.



2.2 Breve resumo da série

Harry Potter, interpretado por Daniel Radcliffe, é um órfão que vive em um armário debaixo da escada na casa de seus desagradáveis tios. Porém, aos onze anos ele descobre que é um bruxo e que seus pais também foram. E por isso, ele vai para a escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Descobre também, que quem matou seus pais foi o mais terrível bruxo de todos os tempos, Voldemort.
Voldemort pretende dominar o mundo e livrar-se dos sangue-ruins ou trouxas (pessoas que não são bruxas) e matar Harry Potter, que foi a única pessoa que sobreviveu a uma maldição de morte – e ele tinha apenas um ano quando o fez – e que fez com o bruxo perdesse seus poderes temporariamente.
Por esse motivo, Harry é muito famoso no mundo bruxo. Adorado por uns, e odiado pelos seguidores de Voldemort. Apesar de nunca ter tudo contato com magia, Harry tem um talento natural para lidar com ela, e para entrar em confusões. Junto com seus amigos Ronald Weasley( Rupert Grint) e Hermione Granger ( Emma Watson), vai tentar solucionar vários mistérios dentro e fora de Hogwarts.
Nos livros – e também nos primeiros filmes – o foco era mostrar a adaptação e as
descobertas de Harry, bem como todas as histórias que rodeiam o mundo bruxo. Mas já no quarto livro, nós podemos perceber que Harry cresceu. E os livros da série também. Pela primeira vez, Harry vê uma pessoa ( seu amigo Cedrico Diggory, vivido por Robert Pattinson) morrer. E vê também, o vilão Voldemort conseguir um novo corpo e voltar ainda mais poderoso.
Enquanto isso, Harry sofria um conflito interno por não saber lidar com sua demasiada fama e com as responsabilidades que lhe eram incumbidas. Apesar de sempre resolver os problemas,Harry nunca se acha digno de tomar a liderança. E em certos momentos se pergunta se não é, na verdade, igual ao vilão Voldemort. Mas o diretor de Hogwarts e mentor de Harry, Dumbledore (Richard Harris/Michael Gambon), faz questão de ressaltar que os dois são muito diferente. Já no segundo livro ( A câmara secreta), ele diz: “ São as nossas escolhas, Harry, que revelam quem realmente somos, muito mais do que nossas qualidades.” (ROWLING, 2000, p.280).
E um dos motivos claros de que Harry e Voldemort são diferentes é a “casa” a qual pertencem. Hogwarts, é dividida em “casas”, onde as principais características dos alunos são incentivadas, sendo que as principais são “Grifinoria”, a casa dos corajosos e “Sonserina” a dos ambiciosos. Os alunos são escolhidos para entrar delas, por um chapéu “seletor”. Segundo o Chapéu, Harry deveria pertencer e Sonserina (onde Voldemort pertenceu), mas ele pede para não ir para lá. Mostrando, desde o primeiro momento, o tipo de pessoa que gostaria de ser.
Harry Potter é a história de um menino bruxo, que vive em um mundo bruxo, tentando derrotar um bruxo maquiavélico. Mas, a história não é sobre “bruxaria”, e sim sobre escolhas. Sobre ter todo um universo conspirando para que alguém se torne uma pessoa ruim, e esse alguém, nesse caso Harry, continuar resistindo e lutando pelas coisas que ele considera mais importante: amor e amizade.







2.3 Análise comparativa da linguagem audiovisual utilizada por Chris Columbus em A pedra filosofal e A câmara secreta com a de David Yates em A ordem da Fênix e O enigma do príncipe.

A primeira imagem que aparece em qualquer filme da “Warner Bros.”, é obviamente, o símbolo e logo da marca da produtora, o “WB” amarelo e azul. No primeiro e no segundo filme, onde Harry ( Daniel Radcliffe) está descobrindo o mundo mágico, com todas as criaturas fantásticas, feitiços e carros voadores, ele aparece dourado e reluzente (cena 9) e o céu por trás dele está azul e com nuvens leves; Já no filme cinco, quando Harry entra de cabeça na luta contra Voldemort, ele está prateado escuro quase grafite e no filme 6, que é quando Harry irá descobrir o passado obscuro de Voldemort e experimentar feitiços impróprios, o símbolo está enferrujado e estático e o céu está escuro e nebuloso, com raios como se esperasse por uma tempestade (cena 13), o que reflete a própria vida do protagonista, e a frase dita por Bellatrix Lestrange (Helena Bonhan Carter) “Eu matei Sirius Black” , que é o padrinho de Harry é dita em off de maneira estridente, o que mais uma vez nos remete ao que estava na cabeça de Harry.
A trama central do filme seis, é o passado de Voldemort, mas essa não é a primeira vez que Harry tem contato com as memórias do vilão. Em “A câmara secreta, Harry lê o antigo diário de Tom Riddle ( Verdadeiro nome de Voldemort), e é levado através dele, para cinqüenta anos atrás (cena 4). Como o filme era primordialmente para um publico infantil, uma fotografia preto-e-branco amarelada, que lembra fotos antigas, é utilizada para mostrar o tempo passado, e para destacar que Harry estava vendo a cena, ele “entra” dentro dela, e é o único que permanece em corres. Já no sexto filme, “o enigma do príncipe”, Dumbledore mostra algumas lembranças de Voldemort para Harry. Essas lembranças estão dentro de uma bacia ( que se chama “penseira” e foi apresentada ao publico em “O cálice de fogo”) onde Harry apenas mergulha a cabeça, e a partir daí já entendemos que vamos ver agora algo que aconteceu no passado . David Yates,optou por um clima mais sombrio, onde uma nevoa preta está em volta dos objetos e a fotografia se mantém colorida, porém esverdeada, o que simboliza tanto o sombrio, quanto a cor da casa de Hogwarts “Sonserina”, a qual Voldemort e a maioria os bruxos ruins pertenceram. Os cortes também estão mais rápidos e há inserção de planos detalhes para indicar certas coisas, sem que seja necessário dizê-las.
Mas não só o passado de Voldemort se tornou mais sombrio, o próprio Voldemort também ficou. Um dos fatores que os diretores Mike Newell e David Yates solberam explorar bem, foi a mudança de comportamento de Voldemort em relação a Harry. Quando este apareceu no primeiro filme, ele tentava ao mesmo tempo assustar e recrutar Harry. Falava sem alterar a voz e mantendo um tom cadavérico. Mas quando os dois voltaram a se encontrar em “O cálice de fogo”, Harry já tinha crescido, e Voldemort já estava convencido de que ele nunca iria para o lado das trevas – apesar do que, “recrutá-lo” só seria um pretexto para matá-lo posteriormente. – o vilão assume sua verdadeira personalidade perante o protagonista. Sarcástico e coloquial, Voldemort age como um tio mais velho cujo “sobrinho” nunca terá argumentos para discutir.
Em “A pedra filosofal”, Voldemort não tinha um corpo. Por esse motivo, ele vivia no corpo de um professor de Hogwarts (Quirrell), mas tanto Harry quanto o público só descobrem essa informação no clímax do filme. Para simbolizar a presença de Voldemort no corpo de Quirrell,(Ian Hart) uma cabeça saia da sua nuca, que até então vinha sendo coberta com um turbante. A “cabeça” tinha feições duras e o “professor” ( ou a “cabeça da frente”) ficava em um estado de transe enquanto Voldemort conversava com Harry. Já em “A ordem da Fênix”, até os súditos de Voldemort já são mais autônomos. Bellatrix Lestrange, o braço direito de Voldemort é tão arrogante e sarcástica quanto o próprio. O vilão também abusa mais das caretas e dos trejeitos . Ralph Fiennes trouxe para o personagem um ar de superioridade e desprezo pelas demais pessoas, dignos do Voldemort dos livros. E Hero Fiennes-Tifin e Frank Dillane, que interpretaram Voldemort com dez e quinze anos respectivamente, conseguiram mostrar como a personalidade dele evoluiu até chegar ao ponto que está, no tempo real da série. O rosto de Voldemort, que foi mutilado, devido as mutilações que ele próprio promoveu em sua alma, só ajudam a ressaltar a ideia de Voldemort como ser desumano. Algo que é gradualmente explicado aos leitores/espectadores as série.
No primeiro filme da série, o guarda caça de Hogwarts Hagrid ( Robbie Coltrane), explica para Harry como foi que seus pais morrera, porque ele é tão famoso e a origem da sua famosa cicatriz em forma de raio. Para isso, a câmera se aproxima de Hagrid, e em forma de flashback acompanhado por off de Hagrid, ele conta a história a Harry. Como o publico ainda não está familiarizada com o universo dos filmes, a cena é mostrada por inteira. Voldemort ( que não pode ser mostrado, pois a intenção a não sabermos quem ele é) anda com uma capa preta, abre a casa com um feitiço e entra. Nós somos apresentados a finada mãe de Harry, Lilian Potter, que a cena mostra claramente que resistiu até o ultimo momento tentando salvar o filho, e vemos também Harry com um ano de idade, e depois voltamos a ver Harry, já com onze anos chocado com a história. E escolha por mostrar a cena passo-a- passo, foi perfeita, uma vez que o primeiro filme da série, serve, dentre outras coisas, para apresentar a história.
Já em a ordem da Fênix, quando Voldemort tenta dominar Harry, várias imagens se passam muito rapidamente em sua mente, e o expectador as vê. Podemos ver aqui uma clara influência da linguagem de vídeo-clipe tão comum entre os jovens- publico atual da série – e também, uma influencia da montagem construtiva/intelectual das escolas russas. Para eles, cada plano deveria transmitir um novo dado, de forma que o expectador montasse o sentido final na sua cabeça. Como o publico que está assistindo além de mais velho, provavelmente acompanha a série fica fácil compreender o sentido. As imagens tem, por si só, um sentido próprio dentro da série. Os olhos de Harry, Cedrico morto, um dementador ( monstro que “suga” a felicidade), Sirius Morto, Arthur Weasley ( pai de Rony, melhor amigo de Harry) ferido, Voldemort, Harry sozinho e por fim o próprio Harry se olhando no espelho e vendo Voldemort refletido, juntas somam as piores lembranças e os maiores medos do protagonista, sem que seja necessário um diálogo para dizer isso.
A primeira cena de Harry Potter e o Enigma do príncipe, também tem esse caráter subjetivo. Um olho de Harry é mostrado, e uma luz forte bate sobre ele, depois, Harry é mostrado em close, machucado, e alguém diz “Ele voltou”. Percebemos que as luzes se tratam de flashes. Os fotógrafos são mostrados e a trilha triste aumenta. O plano abre e percebemos que Dumbledore está do lado de Harry. Mais fotos, e as feições de Harry se tornam ainda mais tristes. Entra um plano detalhe da mão de Dumbledore segurando os ombros de Harry e depois os dois vão saindo do lugar.
A cena pode ser vista, por um leigo, apenas como Dumbledore tirando Harry de perto dos fotógrafos, mas se analisarmos ela é muito mais do que isso. As fotos são uma marca de como a fama do protagonista vem crescendo, e a forma em câmera lenda e com uma trilha melancólica de fundo mostra dentre outras coisas, o quando ele odeia essa fama. A frase “Ele voltou” diz respeito ao retorno de Voldemort, que agora, todos sabem, o que vai gerar pânico e medo, e Harry não pode impedir. Harry está sendo interrogado por fotógrafos, porque conseguiu vencer Comensais da Morte adultos, mas ele não se importa com isso. A frase “Eu matei Sirius Black” dita por Bellatriz que apareceu antes da imagem do olho de Harry ( junto ao símbolo da Warner), mostra em que Harry ainda está pensando. Sirius, o padrinho de Harry tinha acabado de morrer, e ele estava se sentindo mais sozinho do nunca. Ai vem a importância do insert em close da mão de Dumbledore em seu ombro. O diretor, que foi a figura paterna mais forte para Harry durante todos os filmes, “disse”, com esse gesto, que ele estava ali, e Harry não estava tão sozinho quanto imaginava.
Porém o crescimento de Harry não é mostrado somente com os momentos tristes. Como adolescente, muitas coisas começam a mudar. Nos filmes cinco e seis dirigidos por David Yates, o sentimento amoroso entre Rony e Hermione se torna evidente, mas Columbus já tinha deixado dicas – que nem a própria J.K. tinha dado— sobre isso, já nos primeiros filmes. As festas também são mostradas de maneira diferente. Enquanto no inicio eram mostradas com muita comida e no salão principal da Escola, depois são em lugares mais restritos, onde os adolescentes aprontam e a trilha sonora, em vez da tradicional orquestrada é substituída por rock.
O famoso jogo bruxo, o quadribol, também se torna mais rápido e violento, porque os jogadores cresceram e a disputa entre as casas aumentou. Os cortes aumentaram, para dar mais dinamismo ao jogo, e também porque o espectador já conhece o cenário e as regras do jogo, o que significa que o plano pode durar menos.

Comumente, os trechos nos quais se emprega
o corte mais rápido são
sequências nas quais se mostram
alternadamente duas linhas paralelas
de ação.[...]Cada plano transmite uma
Mensagem que o espectador
apreende de imediato e, por tanto, o
corte pode ser extremamente rápido
(REISZ,1978.p.252)

No caso de Harry Potter, as “ações paralelas” seriam os dois times adversários, e o momento em que um ou outro acata. E a ação pode ser bem mais rápida porque depois que o jogo já foi mostrado em três outros filmes, o espectador já sabe para onde direcionar o olhar e do que se trata.
Até o clima se mostra um componente importante. No segundo filme, o dia estava ensolarado, enquanto no sexto, até mesmo no quadribol, a neve caindo e o tempo escuro mostra a sensação de “dias tempestuosos” que o filme quer passar. E mais um indicativo seriam os uniformes, que são mais resistentes e possuem mais proteção.
Além do fato dos dois primeiros filmes serem de Columbus e os dois últimos serem de Yates, outro fator contribuiu para que eu escolhesse comparar o primeiro filme ( A pedra filosofal) com o quinto ( A ordem da Fênix) e o segundo( A câmara secreta) com o sexto ( o enigma do príncipe). Os livros “A pedra Filosofal” e “A ordem da Fênix”, são de certa forma, complementares, assim como “A câmara secreta” e “O enigma do príncipe” também são. Isso porque no primeiro livro, Harry descobre que Voldemort quer matá-lo e o conhece, e no quinto livro, ele descobre “o porque” e que sua missão e matar o vilão; Já no segundo, Harry descobre um pouco sobre o passado de Voldemort, e que ele tem muitos planos para recuperar seus poderes, e no sexto livro ele descobre tudo que tem que saber sobre o passado de seu arquiinimigo, e como pode usar os planos de Voldemort a seu favor.







3. Considerações finais

Harry Potter, como vimos, é uma série que começou voltada para o público infantil, mas que foi abrangendo todos os públicos conforme seus personagens— e numero de páginas – iam crescendo. Com os filmes, foi necessário fazer a mesma coisa. E para isso, os diretores utilizaram diversos elementos da linguagem audiovisual como troca de figurino, aumento na velocidade dos cortes, o uso de outras “escolas” cinematográficas e até uma fotografia mais sombria para dar aos filmes o amadurecimento que J.K. concedeu aos livros.
É claro que o fato de os atores terem a mesma idade dos personagens e evoluírem na profissão ao mesmo tempo que crescia, ajudou a passar a necessária verdade para a história. Além é claro, de um ótimo elenco de apoio formado por grandes astros do cinema britânico. Mas para que os filmes saíssem da categoria “infantil”, os diretores tiveram tomar cuidado para não perder os “velhos fãs”– fãs dos livros, cada vez mais exigentes – e conseguir novos fãs.
Columbus conseguiu fazer com que os filmes fossem praticamente uma edição filmada do livro, sem tirar nenhuma informação relevante, e criar locações e personagens tão iguais a dos livros quanto os fãs poderiam querer e fez isso de um jeito que pessoas de todas as idades pudessem assistir e apreciar.
Tornar os filmes mais adultos e sombrios, foi uma tarefa complicada, pois teve que ser feita de maneira gradual, porque as crianças ainda são compõe grande parte do público. Mas talvez, a tarefa mais difícil tenha ficado para Yates, que teve que “escolher” o que era mais importante de dois livros gigantes e cheios de informação.
O que o diretor fez, basicamente, foi jogar com o que ele já tinha. Usar a seu favor o fato dos fãs serem fieis e acompanharem todos os filmes da série. Dessa forma, ele não precisou repetir informações e conseguiu muitas vezes, dizer muitas coisas, sem precisar de diálogos, usando poucas imagens e aproveitando-se da bagagem “pottermaniaca” dos espectadores.
Chris Columbus e David Yates tinham compromissos diferentes, e conseguiram executá-los satisfatoriamente. O primeiro tinha que apresentar o mundo mágico de Harry Potter e transformar “ um garoto normal”, no bruxinho mais conhecido do mundo; e o segundo tinha que transformar o “menino em homem” e o “mundo mágico” em um lugar não tão legal quanto parece em um primeiro momento. Um mundo mais semelhante ao nosso.









4 Bibliografia


COSTA, Antônio. “Os gêneros clássicos do cinema americano”.In: Compreender o cinema. São Paulo: Global, 1989.

MACHADO,Arlindo. “ A narrativa seriada”. In: A televisão levada a sério. São Paulo: Senac,2000.

REISZ,Karel.MILLAN. GAVIN. A técnica da montagem cinematográfica. Rio de Janeiro:Civilização Brasileira, 1978.

ROWLING,J.K. Harry potter e a câmara secreta. Rio de Janeiro: Rocco,2000.


4.1Sites consultados

http://www.imdb.com

http://www.adorocinema.com

4.2 Filmografia

Harry Potter e a pedra filosofal, Warner Bros Pictures, 2001
Harry Potter e a câmara secreta, Warner Bros Pictures, 2002
Harry Potter e a ordem da Fênix, Warner Bros Pictures, 2007
Harry Potter e o enigma do principe, Warner Bros Pictures, 2009

Um comentário:

Anônimo disse...

muito legal sua analise. Realmente, não tem muitas sobre os filmes, e é interssante porque existem muitos fãs só dos livros. E meus diretores favoritos são os dois que você falou XD

Lucas